Depois de uma longa ressaca pós-festival volto a postar aqui no blog.
Como não temos o conceito de ser apenas um blog do festival mas um blog para assuntos relacionados ao gênero fantástico, o Cine Fantástico continua ativo nesse meio tempo entre a 4ª e 5ª edição do Cinefantasy, então se gostar, divulgue!
Já começo com um post dedicado aos que produzem ou querem produzir um filme.
Nesse mês de dezembro o MINC e a Ancine lançaram seus editais. Dentre os editais do MINC o destaque é o “Curta Criança”, onde 13 projetos serão contemplados com 70 mil reais para a produção de curtas de 12 minutos dirigidos ao público infantil. Detalhe, esse edital é para pessoas físicas e em relação a outros editais esse é menos exigente quanto aos documentos de inscrição.
Esse é um edital que ganhou minha confiança, pois nesses quatro anos de festival recebemos vários curtas apreciados pelo “Curta Criança” e afirmo que todos possuem uma qualidade de encher os olhos e, não por acaso, alguns estão na lista de vencedores do Curta Fantástico: “Historietas Assombradas (para Crianças Malcriadas)”, “Curupira” (voto popular – 2006) e “Bicho” (Melhor Fantasia 2008).
Já a Ancine abriu inscrições para 4 linhas de editais: três de cinema (produção, distribuição e comercialização) e uma para TV (produção). Valor total do investimento: R$ 81,5 milhões.
* Linha A - Dedicada às operações de investimento em longa-metragem, incluindo projetos de co-produção internacional. Cada proponente poderá inscrever até 3 propostas; 50 projetos serão convocados para a defesa oral. Recursos disponíveis: R$ 33,7 milhões.
* Linha B - Voltada para operações de investimento em produção independente de obras audiovisuais brasileiras para televisão, privada ou pública, aberta ou por assinatura, incluindo projetos de co-produção internacional. Serão aceitos projetos nos formatos de obra seriada e minissérie. Cada proponente poderá inscrever até 3 projetos; 28 projetos serão convocados para a defesa oral. Recursos disponíveis: R$ 17,7 milhões.
* Linha C - Dedicada a operações de investimento em aquisição de direitos de distribuição de longa-metragem, com utilização dos recursos na produção da obra, para exploração comercial em todos os segmentos de mercado. Cada proponente poderá inscrever até 3 propostas; 18 projetos serão convocados para a defesa oral. Recursos disponíveis: R$ 22,5 milhões
* Linha D - Voltada para operações de investimento em comercialização de longa-metragem, de produção independente, para exibição em salas de cinema no país. Cada proponente poderá inscrever até 3 projetos, sendo que um desses pode ser carteira de até 5 obras cinematográficas; 18 propostas serão convocadas para a defesa oral. Recursos disponíveis: R$ 7,5 milhões
O produtor independente e estreante pode ver nesses editais uma “porta da esperança” para seus projetos. Não custa tentar, mas dou uma dica: sejam caprichosos com o projeto, nada de mandar roteiro-redação e orçamento ou decupagem feito nas coxas. Se você não leva a sério seu filme, não será o jurado quem vai ver diferente.
Agora sigo para a parte “atividade paranormal” do post, mas continuo no modo “produção audiovisual”.
Hoje, mais do nunca, vivemos em um momento em que os deuses do Olímpo cinematográfico estão com os olhos voltados para os filmmakers mortais. E afirmo isso diante de dois fatos:
1 – Diretores “cabra véio” de Hollywood estão apadrinhando diretores de curtas – Peter Jackson + Neill Blomkamp = Distrito 9, Tim Burton + Shane Acker = 9, A Salvação, Guillermo del Toro + Andres Muschietti = Longa do Mamá (vencedor do Desafio Mestre dos Gritos), Sam Raimi + Fede Alvarez = algum longa com robôs gigantes.
2 - Paramount está reagindo ao efeito "Atividade Paranormal" separando US$1 milhão por ano para filmes independentes de no máximo $100mil.
Essa atenção especial não é à toa. Na era dos remakes e da falta de criatividade, o cinema independente vem ganhando destaque e milhões de dólares. Do mais atuais, “Atividade Paranormal” pode não ser tão assustador como o marketing prega, mas surpreendeu sua galgada de 12 mil dólares para mais de 60 milhões. No 4° Cinefantasy trouxemos um independente que também fez bonito, Colin, o filme de zumbis de Marc Price foi realizado com meros 74 dólares, mas teve retorno de filme grande, sucesso em Cannes e distribuição no Reino Unido.
Mas esses são apenas uma pequena porcentagem do cinema independente mundial, tem muitos filmes ainda esperando ser descoberto pelos estúdios e principalmente pelo público. Aqui viro o holofote para os festivais que são a vitrine desse cinema.
Ok, o momento é bom, Tarantino ainda não escolheu seu afilhado rsrsrs
Como o Brasil segue nessa?
Não, não tenho uma resposta só algumas apostas, alguns bons e novos cineastas que estão para debutar na produção de longas e outros que começaram a distribuir lá fora.
Através do festival pude conferir que existem muitos cineastas bons mas percebi também uma falta de interesse preocupação com o mercado público internacional, e o interessante é que os estrangeiros com as quais eu falo sempre me perguntam sobre a produção daqui.
Não vou me delongar mais nesse assunto, não agora, gostaria de saber a opinião de vocês antes. Mas vou deixar umas dicas para os que produzem e pretendem seguir carreira.
Façam seus curtas com capricho (mais uma vez), nada de fazer meia boca, ou só por fazer, atentem para som, imagem, montagem; Façam roteiro, não tenham pressa, peça para terceiros lerem e darem opinião sincera sobre o que achou; Faça um filme que alguém de qualquer lugar do mundo entenda, pode ser regional mas que tenha uma sintonia universal, e finalmente bote no You Tube J